Aprender como reduzir os movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas pode ser um grande desafio para os pais. Mas isso não é motivo de desespero.
Para te ajudar, resolvi traduzir as dicas que encontrei no blog da escritora Mary Babera. Ela é uma BCBA-D (ou seja, uma analista do Comportamento Certificada internacionalmente no nível de doutorado). Além disso, é uma autora que fala numa linguagem simples e acessível e também é mãe de um autista.
1º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
Sempre comece com uma avaliação de comportamento auto-estimulatórios (bem como outros problemas de comportamento) e linguagem:
- Como esses comportamentos estimulatórios se parecem?
- Qual é a frequência que eles ocorrem (estime ou conte os movimentos auto estimulatórios, num intervalo curto de tempo)?
- Quando esse comportamento ocorre mais?
- Quais outros problemas de comportamento a criança apresenta?
Eu também recomendo uma avaliação de linguagem. Eu recomendo que você faça uma avaliação de comportamento verbal, como por exemplo o Vb-Mapp, do Mark Sundberg.
DICA DA MICHELLI: Eu recomendo que vocês para fazer esta contagem façam uso de Contadores e Cronômetros. Esses contadores vocês acham em lojas como: Daiso Japan, em São Paulo, e também Multicoisas, e o cronômetro em vários locais, mas você também pode usar o do celular.
2º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
Faça um plano para reduzir os problemas de comportamento (incluindo comportamentos auto-estimulatórios), e para aumentar as habilidades de linguagem e de aprendizagem.
Se o comportamento auto-estimulatório for perigoso, contate um profissional Analista do Comportamento para realizar uma avaliação completa chamada Avaliação Funcional do Comportamento (FBA) ou uma Análise Funcional.
3º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
3Se os comportamentos auto-estimulatórios forem disruptivos, mas não perigosos, faça um plano para trabalhar a linguagem e habilidades sociais e evite trabalhar direto com os comportamentos auto-estimulatórios.
Ignore movimentos auto-estimulatórios menores, esperando 5 segundos até que a criança esteja quieta, tenha parado e a redirecione para outra atividade e engaje com ela na mesma.
4º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
Quando você não tiver ninguém para engajar com a sua criança em atividades ou brincadeiras e você estiver ocupada pegue atividades estimulatórias e brinquedos que não sejam perigosos e que seja apropriadas para a idade.
5º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
Nós podemos às vezes tirar proveito dos comportamentos estimulatórios em nosso favor, para ensinar habilidades de linguagem e incorporar nós mesmos em atividades divertidas com a criança.
Por exemplo, vamos pensar em uma criança que possui o comportamento de se rodar. Ao invés de você dizer, “pare de rodar”, “você ficará tonto”, “irá cair”. Você poderá utilizar da modelagem, você poderá colocar a criança naquelas cadeiras de escritório que rodam e o adulto poderá controlar a quantidade que a criança irá rodar.
Dessa forma, você se colocará na brincadeira, a tornando mais divertida.
6º passo para reduzir movimentos auto-estimulatórios em crianças autistas:
Por fim, ensine a sua criança, a pedir por itens ou atividades que sejam similares, as suas atividades auto-estimulatórias.
Por exemplo, se a criança gostar de balança, então você poderá ensinar a criança o sinal (LIBRAS) para rodar. Ou dar o modelo vocal dizendo “RODAR”.
Eu gosto de incorporar bolas grandes de borracha, ao balançar porque elas provém um input sensorial maior, que muitas vezes é muito reforçador.
Ao sentar nestas bolas grandes, você pode utilizar esse momento para modelar palavras, como por exemplo: “balançar” e outras.
A chave para parar comportamentos estimulatórios é reconhecer que você não pode, de fato simplesmente parar qualquer comportamento.
Qualquer comportamento que precisa ser reduzido deve ser substituído, por um comportamento de igual valor funcional. Eu percebi que a melhor forma de substituir estes comportamentos é ensinar a criança ou ao adolescente, a usar a linguagem e habilidades sociais para ensinar habilidades de lazer que sejam seguras e divertidas.
É muito importante ter paciência nesse processo. Mas não somente isso! Conhecimento sobre técnicas é imprescindível para conseguir ajudar crianças autistas ou com outros tipos de atraso no desenvolvimento.
Pensando nisso, desenvolvi alguns cursos e treinamentos exclusivos para pais de crianças e adolescentes que tem algum tipo de atraso no desenvolvimento. Clique aqui e conheça!